quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Demanda

Atualização do poema "Demanda":
http://meuamigopierro.blogspot.com/2008/05/demanda.html

Soneto patafísico - VIII

Meus amigos petistas espumavam quando eu apontava esse pequeno detalhe no curriculum vitae do Lula. O herói-mor do Partido dos Trabalhadores não trabalhava!!!
(Marcelo Tas)

Se o trabalho sumiu tão de repente,
a ponto de que não o vejas mais,
melhor olhar de perto, novamente,
com paciência e calma clericais.

Ou talvez necessites atualmente
de algum tipo de lentes desiguais:
uma que seja exata e não aumente
(mostrando-te os tamanhos naturais)

e outra que vença (ou fure) a cerração
em que o teu olho avança tão a custo,
guiado pelo farol da exclamação. –

O importante é que sejas sempre agudo
e não tropeces mais no próprio susto,
conforme aqui suponho, em meu estudo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Soneto patafísico - VII

sempre cabe a pergunta
porque os machos não conseguem fazer parada do orgulho macho?

(Lido no Orkut)

Toda pergunta cabe certamente
(descabida ou cabível, não importa),
restando só saber se é conveniente
a resposta que implique – reta ou torta.

Se os machos não conseguem – como queres –
fazer a procissão do orgulho macho,
não é por falta de ânimo e despacho
ou carência de ideais e de quereres.

(Cumpre manter bem claro o pensamento,
para que não se obstrua no argumento
e não caia, fatal, numa esparrela.)

Quanto à parada? É minha opinião
que, em te fazendo falta, com razão
deverias tu mesmo promovê-la.

Soneto patafísico - VI

E sobre os dados no mundo quântico, estou contigo nesta também. O mundo quântico é a porta do mundo espiritual, onde tudo é possível!
(Lido no Orkut)

Se, conforme o que dizes, tão fecundo,
no teu quântico mundo, concebível,
tudo chega, de fato, a ser possível
(só não o sendo mesmo o próprio mundo),

não é preciso ser douto e profundo
para ver que os limites do cabível
combinam com os limites do possível,
dentro dos quais convém caber o mundo

(a que chamas de “quântico”, preciso,
mas de outras coisas pouco criterioso).
Se antes dos pensamentos é preciso

que o mundo exista lá, por mais incríveis,
ou será mundo mesmo, rigoroso,
ou – impossível – mundo de impossíveis

domingo, 27 de setembro de 2009

Soneto patafísico - V

Alguém pensou em perguntar ao bebê o que ele acha de cortarem um pedaço do bilau dele sem anestesia?
(Lido no Orkut)

Quem sabe até já tenham perguntado
ou tido pelo menos a intenção
de perguntar, conforme a sugestão
que dás aqui, de intuito ponderado.

Mas pode ser que, além do intencionado,
se chegue muito cedo à conclusão
de que a pergunta, cheia de razão,
leva a um confuso impasse, inesperado.

Assim, melhor deixar indeferida
a questão que sugeres, de direito,
de que a própria pergunta já duvida.

(Caso nela pensaste alguma vez,
é bom supor que não a tenhas feito –
se é que a língua não falas dos bebês).

Soneto patafísico - IV

Acontece que o que é chamado de ciência não se refere apenas ao "demonstrável" e muito menos ao "demonstrável infinitas vezes preservadas as condições", evidentemente.
(Lido no Orkut)

Bem demonstrada ou mal, ou demonstrável –
conforme queres tu – vezes sem conta;
ou talvez, para que não fiques tonta,
menos que demonstrável, improvável

(que sabemos?), o certo (e razoável)
é que o que afirmas hoje, nessa ponta
do fio de ilusão com que se apronta
teu casaco de ciência indemonstrável,

se alguma se demonstra, com firmeza,
mesmo ao seu modo torto e sem certeza,
vale bem, pelo menos, um tostão.

Não acreditas? Faze a experiência:
salta da torre Eiffel, em prol da ciência,
e mostra, enfim, quem é que tem razão.

sábado, 26 de setembro de 2009

Soneto patafísico - III

Neste sentido, a teoria da relatividade é um excelente insight. Mas mal-compreendida, e certamente poderia ter sido melhor expressa em termos gerais.
(Lido no Orkut)


Pode ser que, por cima da teoria
que alegas ser assim mal compreendida,
estejas por ti mesma, à luz do dia,
compondo a tua própria, corrigida.

Porém, por que não fique mal urdida,
como um tecido vil que se desfia
por um passe qualquer de algaravia,
é preciso que a deixes bem nutrida,

o que se faz – suponho – facilmente,
convidando-a não só para jantar
ou para um piquenique, mas também

douta lição lhe dando diariamente,
de modo que ela aprenda a se expressar
e se faça entender corretamente.

Soneto patafísico - II

Meu simples cérebro leonino percorre caminhos aparentemente tortuosos – mas que eu percebo como absolutamente lineares.
(Lido no Orkut)

Teu cérebro leonino certamente
percorre mil caminhos e lugares,
percebendo-os porém como lineares,
por mais que tortos aparentemente.

Mas num detalhe cumpre reparares:
se fracassa o teu cérebro e te mente,
pode ser que ele tome erradamente
os lineares pelos não-lineares.

Percebes o problema? Se, confiante,
teu cérebro resolva te enganar
e te pregue uma peça interessante...

Ora, nem vale a pena imaginar!
Melhor conselho dou-te, sem favor:
deixa uma coisa ser o que ela for.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Soneto patafísico - I

Eu não tenho "perguntas irrespondíveis": e sim respostas imperguntáveis.
(Lido no Orkut)


Então melhor levá-las ao barbeiro
ou a qualquer lugar que te apeteça
(segundo o bem que cada qual mereça
nas sendas deste mundo sem roteiro).

Destituídas de pai ou paradeiro,
seu sentido é qualquer um que apareça:
seja um vento ou um céu que empalideça,
sejam as gordas chuvas de janeiro.

Por isso te sugiro: quando as tenhas
(tuas respostas – digo – imperguntáveis),
que as leves a passear por outras brenhas –

e lhes dês, na carência das perguntas,
o consolo das coisas consoláveis,
que estão bem vivas se não são defuntas.