Quero esperar Godot no meu cantinho,
sem muito estardalhaço ou escarcéu,
mas incógnito, olhando para o céu,
ou quieto ali, tal qual um passarinho
que, muito satisfeito do seu ninho,
após ter ido em vão, de déu em déu,
tivesse achado o que não se perdeu,
o que não se desfez pelo caminho.
Basta-me a glória de ser nada ou isto,
este pouco que resta quando cai
entre as sombras do olvido um pensamento:
e ver de longe a meta que nos trai,
ouvindo com surpresa o dito: “Existo!”,
como quem ouve o sussurrar de um vento.
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