Por te faltar o tato e a sutileza
com que uma mão amante se contrai
e à efusão dos esforços se subtrai
que tentam segurá-la com firmeza,
traduziste-a, sem arte e sem justeza,
por “mão amiga” (como a mão de um pai),
evitando o sentido em que se trai
o perigo que a mente bem sopesa.
Conseguiste, porém, com essa ação,
que a limpou da sujeira e do pretume,
curioso efeito de protelação:
como quem, no momento de agarrar
o que na sombra esteve a procurar,
notasse o seu real peso e o seu volume.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
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