sábado, 18 de abril de 2009

O voo

Eu já levitei – é absolutamente estranho e não dependeu de eu querer ou não. Andei por um espaço de cerca de cem metros sem que meus pés tocassem o chão. [...] PS: não faço uso de nenhuma substância alteradora de consciência, sou cara-limpa e estava absolutamente sóbria, é claro. (Lido no Orkut)

Levitaste, madame, certamente,
e do que dizes não duvidarei.
Há mistérios sutis em nossa mente,
coisas do arco-da-velha, que nem sei.

Talvez tenhas subido até mais alto,
no teu novo exercício aviculário,
ultrapassando a altura do teu salto,
num gesto de leveza extraordinário.

Porém o aspecto que ainda me preocupa
não é saber se o voo teu, risonho,
surge do ardor que o cérebro te ocupa –

mas se, a revoar no céu, qual passarinho,
não chegaste a apanhar pelo caminho
algo que não provém de droga ou sonho.

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