domingo, 30 de setembro de 2007

Resíduo

inspirado na foto do post anterior

Cansou de se cansar e protestar
e sentou-se num canto, deprimida,
não de todo vazia nem vencida,
mas, por certo, sentindo já pesar

o esforço exorbitante da subida,
que a levara tão longe, a algum lugar
onde o próprio sentido de avançar
não dava mais sentido à sua vida.

Como se a incomodasse a fantasia
com que se disfarçara para o dia
(sem abrir mão da própria compostura),

restou ali, como um resíduo seu
reduzido afinal à própria altura –
a lembrar o que nunca aconteceu.

A palhaça cansada...

How does it feel?

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O nariz e a história

Também acho que não devemos tirar o nariz de palhaço... ele já faz parte da nossa estória. (Lido no Orkut)

Não lhes tirem, senhores, o nariz,
para que não se perca a sua glória,
pois nele é que se conta a sua história
e uma parte que nela não se diz.

Nele é que, sob a flor da anatomia,
que não deixa mentir e que não mente,
se exprime o que é invisível e latente,
mas que o nariz devolve à luz do dia.

Deixem-lhes o nariz – como um brasão
que bem revela aquilo que eles são,
tal como se um farol ou uma seta. –

Porém, por que a mensagem fique inteira,
e a provar que o nariz não é de cera,
venha junto o palhaço que o completa.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Sugestão

E aí um dia eu acordei e vi que eu não só não podia como também não queria mais "salvar o Brasil". Me deu uma espécie de caída de ficha que eu nem sei se é boa: o Brasil é salvável na medida em que for, e não adianta esse frenesi seu não, minha senhora! (Lido no Orkut)

Se te cansaste de tentar salvar
o insalvável (da queda e do pior),
recomendo-te andar ou viajar,
contanto que não vás a Salvador,

por que não caias – ao dizer tal nome,
que bem pouco sugere – no deslize
de fazer com que ao tédio ainda se some
a lembrança fatal da tua crise.

Borda, enfeita, exercita o teu xadrez,
mas deixa em casa os livros – teu Jardim,
teu Imbecil, e coisas desse jaez,

que transformam teu cérebro em pudim. –
Vai descansar, feliz, que logo esfria
a gana de salvar que te angustia.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Dinâmica de partido

Criação de um novo partido...
Propostas...
1ª. Para os filhados, não serem filhados ou terem sido filhados a qualquer partido político no Brasil. (Lido no Orkut)

Eles vão eleger filhados deputados. (Comentário no Orkut)

Se o partido tiver
estatutos firmados,
deverá ter então
filhados cadastrados.

Depois, fazendo força
para todos os lados,
os neófitos serão
polidos e treinados.

Uma vez bem curtidos,
poderão ser lançados
candidatos e assim
pelo povo votados.

E, se os esforços forem
muito bem coordenados,
quem sabe até se elejam
filhados deputados.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Farândola

Criação de um novo partido...
Propostas...

1ª. Para os filhados, não serem filhados ou terem sido filhados a qualquer partido político no Brasil. (Lido na comunidade "Fora Lula" do Orkut)

Flávio filhava os filiados
porque não tinha afilhados.

Fialho fazia figa,
enquanto Fábio flauteava.

Fernando se afadigava
no afã de fazer farinha.

Fabrício quase enfartava
de tanta farra e fandango.

Mas, lá no fundo, enfezado
e farto do "Fora Lula",

fulano fantasiava:
"Mas que fuleira e farsesca

a festa desses fedelhos!"

sábado, 22 de setembro de 2007

Causa nobre

A causa é nobre, justa, necessária e urgente. (Frase lida no Orkut)

Dinheiro eu peço, senhores,
mas para uma causa urgente.
Peço porque é necessário
ao grande esforço templário
de derrubar presidente.

Para mim não peço nada,
nem para amigo ou parente.
Peço porque nada é tão
urgente quanto a missão
de derrubar presidente.

Quem quiser contribuir
que o faça imediatamente.
Pois não há causa mais justa
nem intenção mais robusta
que derrubar presidente.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O meu amigo reaça

(para orkuteiros)

Entrei certa vez no Orkut,
pensando que era uma praça.
E foi lá que conheci
o meu amigo reaça!

Visitou o meu perfil
e me adicionou de graça.
(Não tive que pagar nada
por esse amigo reaça!)

Nunca trocamos mensagens,
nossa relação foi baça.
Mas mesmo assim fui amigo
daquele amigo reaça.

Quem nunca pediu tal coisa
ao grande tempo que passa?
A incomparável surpresa
de um bom amigo – reaça?

Até que sumiu no vento
como se fosse fumaça.
Não ficou nem a lembrança
do meu amigo reaça!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O bispo

Odilo Scherer não apenas prestou vários favores aos comunistas, mas os recusou abertamente ao partido contrário, com intolerável desonestidade e cinismo. (Olavo de Carvalho)

É preciso excomungar o bispo,
comadre!
O bispo não permitiu
que a passeata entrasse na igreja,
comadre!
O bispo violou a bula,
comadre!
É preciso excomungar o bispo,
comadre!

http://olavodecarvalho.org/semana/070911dce.html

domingo, 16 de setembro de 2007

O chato

Eu já saturei de chamar todos para Brasília. Abri uma comunidade para isso. Abri uma enquete para isso. Em muitos tópicos chamava todos para isso. Perturbei tanto que acabei ficando chato. E... nada, nadinha. Somente meia dúzia de gatos pingados. Portanto desisti! Se quiserem, estou pronto e cheio de vontade de ir lá para reinvidicar, fazer passeata, conversar com senadores, com deputados, acampar na praça dos três poderes... qualquer coisa. Para mim não importa o motivo, importa quando! Se conseguir convencer o pessoal daqui, pode contar comigo... Mas eu desisto de tentar... (Lido no Orkut)

Cansei-me de convidar
para o passeio em Brasília.
Fiz um esforço danado.
Criei enquetes sobre o ato,
abri mil comunidades.
E no final – ai de mim! –
acabei ficando chato.

Somente uma meia dúzia
de gatos mais que pingados,
e sempre essa indiferença...
Por que é que ainda me bato?
Mas, se querem, estou pronto:
vou a Brasília correndo,
mesmo que me torne um chato.

Conversar com senadores,
dar bronca nos deputados,
dormir na praça, ao relento –
que pedra no meu sapato!
Mas, se é pelo bem comum,
se é por uma causa nobre,
vou – e me chamem de chato!

Pois o que importa o motivo,
que importa saber por quê?
Importa apenas o quando,
importa apenas o fato. –
Ai, se querem, estou pronto,
vou a Brasília correndo.
Depois me chamem de chato!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

O pânico de Reinaldo Azevedo

Tanto escarafunchou, que descobriu
(Olavo de Carvalho deu a pista) –
depois de cada página que abriu,
num ímpeto severo e moralista –

a imagem suja, que saltou à vista:
tanto por tanto e tanto (ele mediu?),
exposta ali, com despudor de artista,
que muito o incomodou, muito o feriu.

Teve raiva e vergonha, e não sabia
se o que mais o abalava era o que vira,
ou o que, seguindo em frente, ainda veria.

Saiu logo da Rede, furibundo,
culpando o Presidente, a Deus e ao mundo
por aquela armadilha em que caíra.

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/03/cuidado-pgina-da-presidncia-da-repblica.html

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Querido carteiro

Recebi uma carta luxuosa do Foro de São Paulo [...] com um texto igualmente luxuoso cheio de imagens e fotos do continente e das reuniões do próprio Foro com texto bilingue português-espanhol. (Lido no Orkut)

Querido carteiro,
traze-me dinheiro.
Traze-me bilhetes,
cartas de namoro,
livros a mancheias.
Traze-me também –
é o que mais te imploro –
cartinhas do Foro.

Querido carteiro,
sabes o roteiro.
Traze-me surpresas,
de alegria e choro.
Mas, se bem me queres,
traze-me também,
a mim que te exoro,
cartinhas do Foro.

Ouve meu pedido,
carteiro querido.
Traze um telegrama
do chefe bororo.
Traze uma notícia.
Mas traze também,
que a tanto me aforo,
cartinhas do Foro!

sábado, 8 de setembro de 2007

A campanha

Morana não me namora,
nem eu namoro Morana.
E, apesar disso, chorosa,
Morana me pede grana.

Mesmo não tendo laptop,
faço uma coisa bacana:
por amor ao “Fora Lula”,
dou meu dinheiro a Morana.

No entanto, mal começada,
logo termina a gincana.
Morana já tem laptop,
não mais precisa da grana.

Pergunto: se ela é sincera,
se – briosa – não me engana,
por que Morana demora,
por que não devolve a grana?

Eis no que dá ser bonzinho,
eis no que dá ser bacana!
Arrisco meu dinheirinho,
e em troca me dão banana!

Para entender o poema: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=87091&tid=2553487578718597951&na=1&nst=1

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Soneto constantino-barroco

Prolixo e reacionário Constantino,
enquanto estamos vendo claramente
em tua obscura prosa um tom mordente
(semelhante a um flagelo do destino);

enquanto assim badalas, como um sino
esse fluxo incansável, excrescente,
como se um fogo ardesse em tua mente,
mas que no fundo é vento e desatino;

goza, goza da fama enquanto dura,
antes que caia como podre fruta
da árvore da Internet que a segura;

que, passado esse ardor com que ‘argumentas’,
linha a linha, o bom senso te refuta,
não importa que escrevas novecentas.

http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=87091&tid=2553595893445846117&na=1&nst=1

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Regina e o burrico

Foi passear na avenida
montada no seu burrico.
Cantava assim, num lamento:
“Meu povo é rico, tão rico!”

O seu burrico era lindo,
e ela o montava bem cedo.
E, dando voltas na praça,
cantava assim: “Tou com medo!”

Foi namorada do povo
e apareceu na tevê.
Um dia pediu consciência
e voto pro FHC.

Montada no seu burrico,
ia desfiando um enredo
que começava num susto
e terminava com medo.