Antes de criticar o cristianismo, você tentou ler literatura cristã pelo tempo e com a atenção que você concedeu a Ayn Rand, Voltaire e Karl Popper, digamos? (Olavo de Carvalho)
E Bastiat, Hayek, Mises, Ayn Rand, Humboldt, enfim, aquela lista de 60 autores que eu já li e que seriam considerados "liberais de Orkut” pelos socialistas aqui que jamais leram um único autor liberal... (Rodrigo Constantino)
Foi Olavo quem primeiro
a verdade pesquisou
que muitos livros diziam;
e pensou ter descoberto,
como um fundo que encobriam,
o segredo que escondiam.
Mas eis que se deparou
com o jovem Constantino,
que os livros folheou também,
em busca do seu segredo,
e que, como o próprio Olavo,
com desassombro e sem medo,
julgou ter achado cedo
esse tão precioso bem.
Porém será que a verdade
de ambos teria escapado?
A julgar pelo remédio
que receitam noite e dia,
com insistência de assédio,
de que se leiam sem tédio
livros, livros adoidado,
é justo talvez concluir
que nos livros nunca a viram;
mas que, se insistem em dar
tal conselho, é na esperança
de que outrem venha a encontrar,
oculto em algum lugar,
o que jamais descobriram.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
sábado, 28 de julho de 2007
O cancã-sei do tucano
O cancã-sei do tucano
se dança à tarde, entre as gralhas.
(Vê se entra devagarinho
e vê se não atrapalhas.)
É uma dança furibunda
que entra no furo da boca
e sai no furo da bunda.
Dança-se no alto de um galho,
de olho pregado no doce,
a crocitar, num suspiro:
“Ah, se eu pudesse! Ah, se eu fosse!”
É uma dança divertida
que é tanto mais engraçada
quando se perde a partida.
O cancã-sei do tucano
repete um passo esquisito:
dá um pulinho de lado
com jeito de faniquito.
É uma dança furibunda
que entra no furo dos olhos
e sai no furo da bunda.
se dança à tarde, entre as gralhas.
(Vê se entra devagarinho
e vê se não atrapalhas.)
É uma dança furibunda
que entra no furo da boca
e sai no furo da bunda.
Dança-se no alto de um galho,
de olho pregado no doce,
a crocitar, num suspiro:
“Ah, se eu pudesse! Ah, se eu fosse!”
É uma dança divertida
que é tanto mais engraçada
quando se perde a partida.
O cancã-sei do tucano
repete um passo esquisito:
dá um pulinho de lado
com jeito de faniquito.
É uma dança furibunda
que entra no furo dos olhos
e sai no furo da bunda.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Canção do debatedor
Busco somente a vitória,
não tenho nada a propor.
Toda opinião que eu defenda
só vale enquanto há contenda.
Eu sou o debatedor.
Quando entro numa peleja
(tenha ou não algum valor),
procuro logo o argumento
que mais se adapte ao momento,
pois sou o debatedor.
Minha cabeça é vazia,
e dela posso dispor
enchendo-a de qualquer léria,
qualquer patranha ou matéria,
pois sou o debatedor.
Se um bate-boca começa,
sobe-me logo um calor,
uma comichão de briga,
que me impulsiona e me obriga:
coisa de debatedor.
Entre dois pólos oscilo,
sem comoção ou tremor:
um é o discurso que nego,
o outro aquele que prego –
pois sou o debatedor.
Não tenho meta na vida,
não sirvo a nenhum senhor.
O único ideal por que vivo
é cumprir o imperativo
de ser o debatedor.
Nota: Alguns membros do Orkut fazem dos debates de idéias e discussões sobre temas uma verdadeira razão de viver. O problema é que, para eles, não é o debate em si que importa, mas o desejo de saírem vencedores no final, mesmo ao preço da lógica e do bom senso. Para eles, a canção acima.
não tenho nada a propor.
Toda opinião que eu defenda
só vale enquanto há contenda.
Eu sou o debatedor.
Quando entro numa peleja
(tenha ou não algum valor),
procuro logo o argumento
que mais se adapte ao momento,
pois sou o debatedor.
Minha cabeça é vazia,
e dela posso dispor
enchendo-a de qualquer léria,
qualquer patranha ou matéria,
pois sou o debatedor.
Se um bate-boca começa,
sobe-me logo um calor,
uma comichão de briga,
que me impulsiona e me obriga:
coisa de debatedor.
Entre dois pólos oscilo,
sem comoção ou tremor:
um é o discurso que nego,
o outro aquele que prego –
pois sou o debatedor.
Não tenho meta na vida,
não sirvo a nenhum senhor.
O único ideal por que vivo
é cumprir o imperativo
de ser o debatedor.
Nota: Alguns membros do Orkut fazem dos debates de idéias e discussões sobre temas uma verdadeira razão de viver. O problema é que, para eles, não é o debate em si que importa, mas o desejo de saírem vencedores no final, mesmo ao preço da lógica e do bom senso. Para eles, a canção acima.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Conselhos top-top
I
Se fores sair à rua,
cuida bem, minha filhinha.
Põe tento na camisinha
e observa a fase da lua;
pois quem disso não faz caso
e, exagerando no chope,
se torna presa do acaso,
minha filha, oh, top-top!
II
Quando, em seguida ao altar
tua doce liberdade
se trocar por realidade,
concede, mas devagar;
pois quem, com risco e prejuízo,
para aumentar seu ibope,
cede mais do que o preciso,
minha filha, oh, top-top!
III
Quando fores presidente,
não queiras bancar a estrela:
fecha bem tua janela,
com uma lona resistente;
pois quem, no afã da comédia,
vai disparando a galope
sem puxar a própria rédea,
minha filha, oh, top-top!
Se fores sair à rua,
cuida bem, minha filhinha.
Põe tento na camisinha
e observa a fase da lua;
pois quem disso não faz caso
e, exagerando no chope,
se torna presa do acaso,
minha filha, oh, top-top!
II
Quando, em seguida ao altar
tua doce liberdade
se trocar por realidade,
concede, mas devagar;
pois quem, com risco e prejuízo,
para aumentar seu ibope,
cede mais do que o preciso,
minha filha, oh, top-top!
III
Quando fores presidente,
não queiras bancar a estrela:
fecha bem tua janela,
com uma lona resistente;
pois quem, no afã da comédia,
vai disparando a galope
sem puxar a própria rédea,
minha filha, oh, top-top!
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Soneto em rede-globês
Me transformei no rei da confusão,
quando, apertando o cinto, decidido
a achar meu grande amor (e um bom partido),
agi como um tremendo vacilão,
acabando – um maluco do barulho –
metido numa encrenca da pesada,
e assim, entrando na maior roubada,
bati de frente com o teu orgulho!
Sabia que não ia ser moleza
e quase me dei mal para cachorro,
se não fujo da encrenca, se não corro.
Hoje, de bem com a vida e o mundo, admito
que essa grande aventura foi dureza –
e não encaro mais esse alto agito!
Sobre o rede-globês: http://desciclo.pedia.ws/wiki/Rede_Glob%C3%AAs
quando, apertando o cinto, decidido
a achar meu grande amor (e um bom partido),
agi como um tremendo vacilão,
acabando – um maluco do barulho –
metido numa encrenca da pesada,
e assim, entrando na maior roubada,
bati de frente com o teu orgulho!
Sabia que não ia ser moleza
e quase me dei mal para cachorro,
se não fujo da encrenca, se não corro.
Hoje, de bem com a vida e o mundo, admito
que essa grande aventura foi dureza –
e não encaro mais esse alto agito!
Sobre o rede-globês: http://desciclo.pedia.ws/wiki/Rede_Glob%C3%AAs
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Soneto da sunga
Pois Reinaldo Azevedo não gostou
de ver o presidente usar a sunga.
Pensou com seus ladrilhos: “Mas que dunga!
Como foi que a tal ponto se chegou?”
E imediatamente foi sentar-
se diante do teclado (a madrugada
já pairava lá fora, adiantada) –
e escreveu sem preguiça, e sem vagar.
Incomodava-o ver aquela pança
de gordo sessentão (prato indigesto!)
que não se há de mostrar ao moço, à criança!
Jurou que vingaria aquele insulto.
E, com civil furor, pudico e inulto,
fez estampar no blog o seu protesto.
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2006_10_29_reinaldo_azevedo_arquivo.html#116260052821507189
de ver o presidente usar a sunga.
Pensou com seus ladrilhos: “Mas que dunga!
Como foi que a tal ponto se chegou?”
E imediatamente foi sentar-
se diante do teclado (a madrugada
já pairava lá fora, adiantada) –
e escreveu sem preguiça, e sem vagar.
Incomodava-o ver aquela pança
de gordo sessentão (prato indigesto!)
que não se há de mostrar ao moço, à criança!
Jurou que vingaria aquele insulto.
E, com civil furor, pudico e inulto,
fez estampar no blog o seu protesto.
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2006_10_29_reinaldo_azevedo_arquivo.html#116260052821507189
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Filosofia e pupunha
Por mor da tua pupunha,
deixei a filosofia.
Troquei o que eu só pensava
por aquilo que eu bem via:
mas eis que a tua pupunha
era mais do que eu supunha!
Cansado de perseguir
a luz da verdade eterna
que me fugia entre os dedos,
saí da fria caverna
e, empunhando minha ascunha,
busquei a tua pupunha.
Mas eis que agarrar à unha,
esse bem que pretendi
e pelo qual tudo dei,
conforme logo entendi
(Deus foi minha testemunha) –
era mais do que eu supunha!
http://www.youtube.com/watch?v=r2JRE7noW9Y
deixei a filosofia.
Troquei o que eu só pensava
por aquilo que eu bem via:
mas eis que a tua pupunha
era mais do que eu supunha!
Cansado de perseguir
a luz da verdade eterna
que me fugia entre os dedos,
saí da fria caverna
e, empunhando minha ascunha,
busquei a tua pupunha.
Mas eis que agarrar à unha,
esse bem que pretendi
e pelo qual tudo dei,
conforme logo entendi
(Deus foi minha testemunha) –
era mais do que eu supunha!
http://www.youtube.com/watch?v=r2JRE7noW9Y
O debate da bunda
Foi então que o debate resvalou
pela questão da bunda propriamente,
tornando-se confuso de repente,
na profusão de enclaves que gerou.
Quem foi que nunca a viu? Quem não gostou?
Quem Adão? E a maçã? Quem a serpente?
Quem omite a verdade? Quem não mente,
dizendo que tal coisa não amou?
Houve até quem, no intuito de encomiá-la,
dissesse, com voz séria e comovida,
que de frente jamais ousou mirá-la.
– Mas como? E não ter visto a própria bunda?
– De frente não, mas torta e refletida.
E não se ouviu verdade mais profunda.
(Nota: escrito por ocasião de um debate no Orkut, que terminou com uma discussão a respeito do tema.)
pela questão da bunda propriamente,
tornando-se confuso de repente,
na profusão de enclaves que gerou.
Quem foi que nunca a viu? Quem não gostou?
Quem Adão? E a maçã? Quem a serpente?
Quem omite a verdade? Quem não mente,
dizendo que tal coisa não amou?
Houve até quem, no intuito de encomiá-la,
dissesse, com voz séria e comovida,
que de frente jamais ousou mirá-la.
– Mas como? E não ter visto a própria bunda?
– De frente não, mas torta e refletida.
E não se ouviu verdade mais profunda.
(Nota: escrito por ocasião de um debate no Orkut, que terminou com uma discussão a respeito do tema.)
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Canto reaça
Pobre é assim porque merece?
Não existe racismo no Brasil?
Índio é preguiçoso?
Cotas é racismo contra branco?
Trabalhador grevista é baderneiro?
Programas sociais é “populismo”?
Todo camponês sem-terra é vagabundo?
Acha que a corrupção no Brasil começou em 2003?
Tem alguns amigos negros, mas não quer sua irmã namorando nenhum deles?
Acha que nordestino afunda o Brasil?
Os direitos humanos existem pra defender bandido?
Gosta de humilhar pessoas humildes?
Baseia seus chutes dizendo: “li na Veja”?
Já foi ou sonha ir pra Disneylândia?
Não dá a mínima para a pobreza no Brasil?
Você se acha mais inteligente que o “povão”?
O Brasil não te merece?
(Extraído da descrição da comunidade "Mamãe, eu sou reaça", do Orkut)
I
Vêm, mamãe, me perguntar
quem sou eu, qual minha linha,
qual opinião é a minha
sobre este tempo e lugar.
E eu, esvaziando a taça,
respondo: sou só reaça.
Olavo, Diogo, Reinaldo –
muito mais que preferências,
são para mim referências,
mananciais em que me esbaldo.
E disso fazendo praça
digo depois: sou reaça!
Lula, partido, esquerdismo –
são coisas que dão em nada,
um mau caminho, uma estrada
que só conduz ao abismo.
E para quem acha graça,
digo: o bom é ser reaça!
(Se me acontece o desejo
de me vestir de vermelho,
fujo da frente do espelho,
cheio de raiva e de pejo.
Mas, depois que o surto passa,
digo: venci, sou reaça!)
Em cada canto do Orkut,
onde sou célebre e assíduo,
defendo Deus e o indivíduo,
sem que ninguém me refute.
E que mais querem que eu faça,
se sou assim, tão reaça?
Minha mente, sempre alerta,
nunca se deixa iludir:
que a direção a seguir
é reta, simples e certa:
e o que a define, o que a traça
é ser, mamãe, só reaça!
II
Minha glória, minha taça,
meu fogo, minha fumaça,
minha febre que não passa,
meu álcool, minha cachaça,
meu vício, que me ultrapassa,
meu terreiro, minha praça,
meu caruncho, minha traça,
meu bombardeiro, meu caça,
meu defeito, minha jaça,
meu faniquito, e mordaça,
meu bom humor, minha graça,
meu chantili, minha passa,
linda amante que me abraça,
capricho, birra, pirraça,
pedra na minha vidraça,
matéria de que eu me faça,
meu truque, minha trapaça –
é ser, mamãe, só reaça.
III
Quem emborcou minha taça,
inalou minha fumaça,
quis o que eu quis e de graça,
quem invadiu meu jardim
das aflições e no fim
tentou ser mais que eu reaça?
Quem roubou minha carcaça,
abocanhou minha caça,
bebeu da minha cachaça –
e sem vergonha ou pudor
pensou sair vencedor,
sendo mais do que eu reaça?
Ai, mamãe, quem isso faça,
quem invade a minha praça,
quem parte a minha vidraça –
não perde por esperar:
que logo hei de lhe mostrar
quem é o maior reaça!
Não existe racismo no Brasil?
Índio é preguiçoso?
Cotas é racismo contra branco?
Trabalhador grevista é baderneiro?
Programas sociais é “populismo”?
Todo camponês sem-terra é vagabundo?
Acha que a corrupção no Brasil começou em 2003?
Tem alguns amigos negros, mas não quer sua irmã namorando nenhum deles?
Acha que nordestino afunda o Brasil?
Os direitos humanos existem pra defender bandido?
Gosta de humilhar pessoas humildes?
Baseia seus chutes dizendo: “li na Veja”?
Já foi ou sonha ir pra Disneylândia?
Não dá a mínima para a pobreza no Brasil?
Você se acha mais inteligente que o “povão”?
O Brasil não te merece?
(Extraído da descrição da comunidade "Mamãe, eu sou reaça", do Orkut)
I
Vêm, mamãe, me perguntar
quem sou eu, qual minha linha,
qual opinião é a minha
sobre este tempo e lugar.
E eu, esvaziando a taça,
respondo: sou só reaça.
Olavo, Diogo, Reinaldo –
muito mais que preferências,
são para mim referências,
mananciais em que me esbaldo.
E disso fazendo praça
digo depois: sou reaça!
Lula, partido, esquerdismo –
são coisas que dão em nada,
um mau caminho, uma estrada
que só conduz ao abismo.
E para quem acha graça,
digo: o bom é ser reaça!
(Se me acontece o desejo
de me vestir de vermelho,
fujo da frente do espelho,
cheio de raiva e de pejo.
Mas, depois que o surto passa,
digo: venci, sou reaça!)
Em cada canto do Orkut,
onde sou célebre e assíduo,
defendo Deus e o indivíduo,
sem que ninguém me refute.
E que mais querem que eu faça,
se sou assim, tão reaça?
Minha mente, sempre alerta,
nunca se deixa iludir:
que a direção a seguir
é reta, simples e certa:
e o que a define, o que a traça
é ser, mamãe, só reaça!
II
Minha glória, minha taça,
meu fogo, minha fumaça,
minha febre que não passa,
meu álcool, minha cachaça,
meu vício, que me ultrapassa,
meu terreiro, minha praça,
meu caruncho, minha traça,
meu bombardeiro, meu caça,
meu defeito, minha jaça,
meu faniquito, e mordaça,
meu bom humor, minha graça,
meu chantili, minha passa,
linda amante que me abraça,
capricho, birra, pirraça,
pedra na minha vidraça,
matéria de que eu me faça,
meu truque, minha trapaça –
é ser, mamãe, só reaça.
III
Quem emborcou minha taça,
inalou minha fumaça,
quis o que eu quis e de graça,
quem invadiu meu jardim
das aflições e no fim
tentou ser mais que eu reaça?
Quem roubou minha carcaça,
abocanhou minha caça,
bebeu da minha cachaça –
e sem vergonha ou pudor
pensou sair vencedor,
sendo mais do que eu reaça?
Ai, mamãe, quem isso faça,
quem invade a minha praça,
quem parte a minha vidraça –
não perde por esperar:
que logo hei de lhe mostrar
quem é o maior reaça!
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Diogo e o anjo
Diogo, meu caro,
quanto desamparo!
Cadê o teu anjo?
Se estás tão sozinho,
deixa que eu te arranjo
um anjo bonzinho.
Não te borres tanto.
Enxuga o teu pranto!
Hás de te dar bem
segurando o leme,
pois certo é que quem
não deve não teme!
Diogo, meu velho!
Foi o escaravelho?
Foi o outro, o Tremendo?
Contra tanto medo,
eu te recomendo
Reinaldo Azevedo.
Uma asa de agouro
ronda o teu tesouro?
Queres desagravo?
Buscas agasalho?
Reza para Olavo
(o Anjo) de Carvalho.
Quem te estraga o dia
e assim te injuria,
que uma sombra o cubra!
Se és mesmo Mainardi,
contra a maré rubra
um anjo te guarde.
Ai, Diogo, a Veja
sempre te proteja!
Lembra-te, meu filho,
mesmo no escarcéu,
mesmo no sarilho,
seja ela o teu céu!
quanto desamparo!
Cadê o teu anjo?
Se estás tão sozinho,
deixa que eu te arranjo
um anjo bonzinho.
Não te borres tanto.
Enxuga o teu pranto!
Hás de te dar bem
segurando o leme,
pois certo é que quem
não deve não teme!
Diogo, meu velho!
Foi o escaravelho?
Foi o outro, o Tremendo?
Contra tanto medo,
eu te recomendo
Reinaldo Azevedo.
Uma asa de agouro
ronda o teu tesouro?
Queres desagravo?
Buscas agasalho?
Reza para Olavo
(o Anjo) de Carvalho.
Quem te estraga o dia
e assim te injuria,
que uma sombra o cubra!
Se és mesmo Mainardi,
contra a maré rubra
um anjo te guarde.
Ai, Diogo, a Veja
sempre te proteja!
Lembra-te, meu filho,
mesmo no escarcéu,
mesmo no sarilho,
seja ela o teu céu!
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Canção do diminuidor
Nada é pequeno demais.
Nada é tão baixo ou tão chato
que não me faça subir,
que eu não o possa cobrir
com a sola do meu sapato.
Neste mundo que eu reduzo,
(que tanto me absorve e ocupa),
meu desejo outro não é
do que ter sob o meu pé
aquilo que me preocupa.
O vasto só me complica,
o imenso só me aborrece.
Quando um tamanho me excede,
fugindo ao metro que o mede,
minha honra logo padece.
Se algum perigo me ameaça
(como uma sombra suspensa
a me causar desconcerto)
custa um instante o conserto:
amasso-o logo na prensa.
Nada é tão baixo ou tão reles,
tão passível de irrisão,
que um gesto meu não o faça –
assim, por pura pirraça –
ficar mais perto do chão.
Comunidade Casa do Diminuidor, no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=24324253
Nada é tão baixo ou tão chato
que não me faça subir,
que eu não o possa cobrir
com a sola do meu sapato.
Neste mundo que eu reduzo,
(que tanto me absorve e ocupa),
meu desejo outro não é
do que ter sob o meu pé
aquilo que me preocupa.
O vasto só me complica,
o imenso só me aborrece.
Quando um tamanho me excede,
fugindo ao metro que o mede,
minha honra logo padece.
Se algum perigo me ameaça
(como uma sombra suspensa
a me causar desconcerto)
custa um instante o conserto:
amasso-o logo na prensa.
Nada é tão baixo ou tão reles,
tão passível de irrisão,
que um gesto meu não o faça –
assim, por pura pirraça –
ficar mais perto do chão.
Comunidade Casa do Diminuidor, no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=24324253
sábado, 7 de julho de 2007
Soneto da bunda
A bunda é divertida, a bunda é plena,
plenalegre, plural, plenipotente;
e quem vive à deriva e descontente
pode na bunda achar sua mezena.
Quem com a bunda ria e se contente
transforma o seu quinhão numa centena,
pois onde a vida tolhe e desordena
não há nada que a bunda não aumente.
Se a vida impõe um jugo, e se esse jugo
nos pareça excessivo, exorbitante,
e se o prêmio a ganhar é só um refugo
que o tempo deita fora num instante –
melhor então a calma em que redunda
o pensamento alegre de uma bunda.
plenalegre, plural, plenipotente;
e quem vive à deriva e descontente
pode na bunda achar sua mezena.
Quem com a bunda ria e se contente
transforma o seu quinhão numa centena,
pois onde a vida tolhe e desordena
não há nada que a bunda não aumente.
Se a vida impõe um jugo, e se esse jugo
nos pareça excessivo, exorbitante,
e se o prêmio a ganhar é só um refugo
que o tempo deita fora num instante –
melhor então a calma em que redunda
o pensamento alegre de uma bunda.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Impaciência
Se vieres montado num mamute;
se, como quem chegou de uma viagem
e insiste em procurar sua ancoragem
aqui, nas águas turvas deste Orkut,
exigindo que eu saia e te refute,
que eu te enfrente no ringue (o bom selvagem!) –
com uma insistência cega de engrenagem –
quem sabe eu te responda, ou até chute;
mas, por favor, me poupa de outro artigo,
não me impinjas a seco esse castigo,
que para mim tem gosto de tormento:
que é para mim uma experiência má,
tal como se tentassem com uma pá
cavar um sulco no meu pensamento.
se, como quem chegou de uma viagem
e insiste em procurar sua ancoragem
aqui, nas águas turvas deste Orkut,
exigindo que eu saia e te refute,
que eu te enfrente no ringue (o bom selvagem!) –
com uma insistência cega de engrenagem –
quem sabe eu te responda, ou até chute;
mas, por favor, me poupa de outro artigo,
não me impinjas a seco esse castigo,
que para mim tem gosto de tormento:
que é para mim uma experiência má,
tal como se tentassem com uma pá
cavar um sulco no meu pensamento.
Quadra
O mais assustador é que a maioria do que está lá faz sentido. (Lido no Orkut)
Se faz sentido, me assusto;
se não faz, passo batido.
Só vivo mesmo sem susto
quando nada faz sentido.
Se faz sentido, me assusto;
se não faz, passo batido.
Só vivo mesmo sem susto
quando nada faz sentido.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Opinião em linha de montagem
Em vez de tamanho poder discricionário, Romão merece é um Chicabon. (Reinaldo Azevedo)
The only emperor is the emperor of ice cream. (Wallace Stevens)
Para seres na Rede o rei da opinião,
apanha no ar o rastro esquivo de uma idéia.
Junta-lhe outra, e mais outra, em longa procissão,
e imprime ao teu discurso um zunzum de colméia.
Dize que para haver lucro e capitalismo
(é um exemplo que dou) é necessário haver
igrejas, padres, papa, a Bíblia e o cristianismo;
e se isso não bastar podes também dizer
que, apesar de cozido em lenta lei moral,
o sexo nunca foi assunto para a escola. –
(E torce de tal modo a frase que, afinal,
pensemos que tens dez demônios na cachola.)
Trama tudo num dúbio estilo de falsete –
e oferece-o ao leitor, como um acre sorvete!
The only emperor is the emperor of ice cream. (Wallace Stevens)
Para seres na Rede o rei da opinião,
apanha no ar o rastro esquivo de uma idéia.
Junta-lhe outra, e mais outra, em longa procissão,
e imprime ao teu discurso um zunzum de colméia.
Dize que para haver lucro e capitalismo
(é um exemplo que dou) é necessário haver
igrejas, padres, papa, a Bíblia e o cristianismo;
e se isso não bastar podes também dizer
que, apesar de cozido em lenta lei moral,
o sexo nunca foi assunto para a escola. –
(E torce de tal modo a frase que, afinal,
pensemos que tens dez demônios na cachola.)
Trama tudo num dúbio estilo de falsete –
e oferece-o ao leitor, como um acre sorvete!
A espada de geléia
... espadas de geléia brandidas contra o aço do esquema esquerdista dominante...
(Olavo de Carvalho)
Munido de uma espada de geléia
foi o bravo guerreiro combater,
sobre o campo minado do saber,
em nome de um princípio, de uma idéia.
Mas a espada, por mais que ele a firmasse
(afinal de geléia fora feita),
mostrava-se rebelde e contrafeita –
e não se achou jamais quem a enrijasse.
Desistiu o guerreiro? – Ora, pois não!
Se é contra o aço esquerdista, vale tudo,
até mesmo geléia de limão!
E redobrou o esforço, culinário,
vasculhando bem fundo o seu armário,
de onde extraiu também a cota e o escudo.
(Olavo de Carvalho)
Munido de uma espada de geléia
foi o bravo guerreiro combater,
sobre o campo minado do saber,
em nome de um princípio, de uma idéia.
Mas a espada, por mais que ele a firmasse
(afinal de geléia fora feita),
mostrava-se rebelde e contrafeita –
e não se achou jamais quem a enrijasse.
Desistiu o guerreiro? – Ora, pois não!
Se é contra o aço esquerdista, vale tudo,
até mesmo geléia de limão!
E redobrou o esforço, culinário,
vasculhando bem fundo o seu armário,
de onde extraiu também a cota e o escudo.
Biografia
Fiz doutorado no Cazaquistão
sobre tema da minha livre escolha:
pesquisei a estrutura de uma bolha,
seu conteúdo, sua dispersão.
Mudei-me para a Arábia, onde aprendi
rudimentos de lógica, e no Egito
desvendei o segredo do infinito
(que não posso explicar, pois o esqueci).
Conheci Júlio César quando moço,
e Jesus Cristo, e Buda, e fui ao poço
de Poe, que fica ao pé de uma muralha.
Hoje escrevo no Orkut a poesia
que bem me dá na telha, e quando calha
falo de arte também, e ideologia.
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